Foto: Edilson Dantas/O Globo

Os pedestres que circularam nesta terça-feira pela rua XV de Novembro, no centro de São Paulo, puderam ver em frente ao prédio da Bolsa de Valores, a B3, o mais novo ponto turístico da região: a estátua dourada de um touro, com peso de uma tonelada, cinco metros de comprimento e três metros de altura.A escultura foi financiada pela B3 em parceria com o economista e educador financeiro Pablo Spyer, idealizador da obra. O autor é o arquiteto e artista plástico Rafael Brancatelli. O valor da estátua, que vai ficar no local de maneira permanente, não foi divulgado.

Brancatelli e a B3 negam qualquer inspiração do touro brasileiro no Charging Bull, o famoso touro de bronze situado em Nova York, nos Estados Unidos, idealizado pelo escultor italiano Arturo Di Modica em 1989. A estátua se tornou um dos símbolos do mercado de capitais americano.

— Temos compromisso com o centro de São Paulo e por isso escolhemos colocar o touro em frente à B3. Ele não é inspirado no touro de Nova York, mas sim na metáfora touro versus urso, tradicional no mercado financeiro. Nós escolhemos a figura porque a associamos à resiliência do investidor e do brasileiro — diz Felipe Paiva, diretor de Relacionamento com Clientes e Pessoa Física da B3.

Na metáfora, o touro representaria as ações em subida pronunciada, em alusão ao movimento de ataque do animal, de baixo para cima. Em contraposição, o urso, que ataca de cima para baixo, representa o mercado em baixa.

Não faltaram os memes

De qualquer forma, as comparações foram inevitáveis entre as imagens dos touros de Nova York e de São Paulo entre os pedestres que viram a mais nova escultura do Centro da capital paulista.

Também não faltaram brincadieras e memes nas redes sociais. A obra de São Paulo chegou a ganhar apelidos como ‘Vaca Louca do Anhangabaú’ e ‘Touro da Cracolândia’.

Segundo a Bolsa, a escultura registra a marca de mais de 4 milhões de pessoas físicas que investem na B3, um recorde para o país que traduz a popularização desse tipo de investimentos.

Entre as diferenças, a mais óbvia é que a estátua americana é de bronze, enquanto a paulistana foi feita em uma estrutura metálica interna e tem o exterior de fibra de vidro e pintura anticorrosiva.

O autor do touro da B3, Rafael Brancatelli, conta que a obra foi idealizada no início da pandemia de coronavírus, há um ano e meio, e que a fabricação da escultura demorou cerca de seis meses.

— Pensei em algo que pudesse fomentar o turismo na região central, fosse um presente para a cidade e representasse a resiliência do mercado financeiro. Fiz o design em três meses e a construção da obra em seis com a ideia de que o traçado fosse original, que não fosse a cópia de nenhum outro touro. Ele tem um traçado mais brasileiro, com uma corcova, por exemplo — explica o artista. É a primeira obra de Brancatelli a ser exposta de maneira permanente na rua.

O Globo