Foto: Amanda Perobelli/Reuters

Em entrevista à CNN nesta quinta-feira (2), o epidemiologista e especialista em imunização José Cássio de Morais afirmou que é melhor que idosos acima de 80 anos e pessoas imunossuprimidas (transplantadas recentemente, com câncer e queimaduras graves) não recebam a terceira dose da Coronavac.Segundo Morais, o que se tem até agora são informações a respeito de como as vacinas se comportam na vida prática. “Dados recentemente publicados no Brasil e que fazem a comparação entre a AstraZeneca e a Coronavac mostram que nos indivíduos acima de 80 anos a resposta da AstraZeneca é melhor que a da Coronavac. A da Pfizer deve ter o mesmo efeito [da AstraZeneca]”, disse.

“Por isso, a resposta melhor seria utilizar, em pessoas acima de 80 anos e imunossuprimidas, uma outra vacina e não a Coronavac”, acrescentou.

O médico também lembrou que ainda não se sabe a dimensão da proteção de uma terceira dose contra o novo coronavírus na população em geral. “Poucos países ainda estão usando terceira dose, e não houve ainda uma análise sobre isso.”

Com relação às outras faixas etárias, o epidemiologista afirmou que “provavelmente a Coronavac terá a sua utilidade”.

A aplicação da terceira dose contra a Covid-19 em idosos e pessoas com problemas de imunidade está prevista para começar no próximo dia 15 em todo o país. Mas o tipo de vacina que será utilizada nesse reforço ainda é assunto de discussão entre o governo federal e alguns estados, entre eles, São Paulo.

Na avaliação do especialista, é “lamentável” a politização que está ocorrendo com o Programa Nacional de Imunizações (PNI).

“Todas as vacinas que estão sendo aplicadas no Brasil têm um papel importante no controle da pandemia, e não se tem estudos mostrando qual a duração da imunidade provocada por cada uma das vacinas. E quando foram feitos os estudos dos ensaios clínicos, não foi utilizado a população das pessoas imunossuprimidas, tampouco a população acima de 80 anos.”

CNN Brasil