Foto: Daniel Leal

Embora o Reino Unido enfrente alta no número de casos de Covid, o uso de máscaras na Inglaterra deixará de ser obrigatório, exceto em instalações médicas, anunciou nesta segunda (5) o premiê Boris Johnson. A medida valerá a partir de 19 de julho, data em que praticamente todas as restrições em vigor para conter a pandemia serão encerradas. Barreiras para entrada e saída de viajantes do país, porém, seguem em vigor.Na prática, o governo retirará todas as restrições legais ao comportamento dos cidadãos e passará a recomendar que cada pessoa decida como lidar com os riscos. Assim, o uso da proteção facial será indicado, e não mais exigido. “Devo frisar que a pandemia não acabou e que estamos longe do fim. Conforme começamos a aprender a viver com o vírus, devemos todos continuar a gerenciar cuidadosamente os riscos da Covid”, ressaltou o primeiro-ministro.

“Eu obviamente vou usar máscaras em lugares lotados com pessoas desconhecidas, para proteger os outros e como uma questão de cortesia. Há uma diferença entre isso e em circunstâncias como viajar sozinho por horas, tarde da noite, sozinho em um trem”, comparou Boris. “As pessoas devem ter direito a exercer seu arbítrio.”

Entre outras medidas, não haverá mais restrição a aglomerações em espaços públicos ou privados, e empresas não serão mais obrigadas a manter parte das equipes em trabalho remoto. Uma pessoa vacinada que tenha contato com alguém contaminado também não precisará mais fazer isolamento obrigatório, e deixa de ser necessário escanear QR codes —usados para rastrear possíveis contágios— ao frequentar restaurantes e pubs. Estes locais poderão funcionar a plena capacidade. Baladas e grandes shows e eventos esportivos foram liberados.

Novas regras para as escolas e as viagens devem ser anunciadas nos próximos dias. Segundo a imprensa britânica, pessoas plenamente vacinadas poderão para os países que estão na lista âmbar sem precisar fazer quarentena ao retornar. O Brasil e toda a América do Sul estão na lista vermelha e seguem vetados.

As mudanças anunciadas por Boris valerão apenas para a Inglaterra. As outras partes do Reino Unido —Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte— decidem as medidas de forma separada, e estão retirando as restrições de modo mais lento.

O Reino Unido é o sétimo país com mais mortes pela Covid no mundo, com 128 mil óbitos, em uma população de 66 milhões. No começo da pandemia, Boris demorou a adotar medidas de restrição e ele mesmo acabou contraindo a doença —em abril de 2020, ficou internado na UTI. Ao se recuperar, deixou de lado o negacionismo.


Folha de S.Paulo