Muitas empresas demonstram estar no limite, à beira do abismo nos negócios – Foto: reprodução

Além e queda, coice! É com esse “ditado” popular que alguns empresários, entre pequenos, médios e grandes do setor da construção civil estão definindo a atual situação que vivem no Rio Grande do Norte. Responsáveis por um dos maiores incrementos do desenvolvimento econômico do Estado, empregadores de milhares de trabalhadores, e gerando considerável parcela da economia, as empresas do mercado da construção civil, estão a um passo, da gradual, porém maciça, desestruturação do seu funcionamento. Isso, porque junto aos reflexos da pandemia da Covid-19, estão sendo obrigadas a arcar com prejuízos incalculáveis, com a paralização de suas obras, demissão de colaboradores, e, aos que insistem em empreender, estão sendo punidos com multas, principalmente por parte de órgãos de gestões municipais, insensíveis e irresponsáveis, que usam as normas que impõem o isolamento social, devido ao aumento dos casos de coronavírus no Estado, para inviabilizar o setor produtivo e a abertura dos estandes de vendas e lançamentos de novos empreendimentos imobiliários.

Segundo empresários da área, ouvidos por nossa reportagem, que preferem se manifestar, mantidos seus anonimatos, o mercado imobiliário no Estado, principalmente na região metropolitana da capital, propulsora da cadeia mercadológica do setor, vem sofrendo permanente redução no volume das negociações de apartamentos, terrenos, casas, lojas e entre outros imóveis, causados pela perda do poder aquisitivo das famílias durante a pandemia e, sobretudo, pela insegurança jurídica, gerada pela revisão do Plano Diretor de Natal. Fato que tem gerado a perda de empregos ou, ainda, redução significativa de salários das pessoas que convivem diretamente no mercado. As empresas do setor, tais quais outros ramos da atividade empresarial, como o turismo, demonstram que estão chegando ao seu limite “pois empreender, gerar empregos e
riquezas para a região, no atual momento da pandemia e ainda ter que enfrentar politicas públicas equivocadas que só penalizam as empresas é motivo de grande estresse. “ As empresas estão morrendo, e nós empresários, vamos seguir o mesmo caminho, se não houver uma tomada de posição visando tirar nossos empreendimentos do buraco, hoje muitos sem possibilidade de salvação”. Desabafa Thiago Santos, empresário do ramo.

Em Natal, segundo Ana Adalgisa, diretora executiva, do Sindicato da Construção Civil do Rio Grande do Norte (Sinduscon-RN), as obras que já estão contratadas há algum tempo, seguem em funcionamento, lento, já que é considerado como serviço essencial (seguindo os protocolos de segurança), mas mesmo assim, sem expectativa de que as vendas cresçam, até que a população seja vacinada, para que a economia volte a
girar, retomando o crescimento do setor imobiliário, não só no RN, mas no Brasil.

De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em janeiro e fevereiro de 2014, antes da pandemia, o setor da construção civil no Rio Grande do Norte, foi o que mais gerou postos de trabalho, com mais de 1.800 empregos diretos. E a cada ano, o saldo era sempre positivo em relação às contratações. Já durante a pandemia da Covid-19, nos dois primeiros meses, janeiro e fevereiro, de 2020, apenas pouco mais de 1000 postos de trabalho foram criados no seguimento da construção civil, aqui no Estado, número inferior ao que era esperado pelo setor.

Segundo avaliação de Ana Adalgisa, caso o mundo não tivesse sido atingido por essa crise sanitária, o mercado da construção civil, no Rio Grande do Norte, estava bastante otimista, com a perspectiva de elevado crescimento, gerando emprego e renda aos potiguares. Mas o que vivemos no momento é exatamente o oposto. Adalgisa explica que a alta nos preços de materiais e insumos para a construção civil, é outro fator preocupante. Há ainda a ameaça de principalmente, os imóveis ligados ao Programa Casa Verde e Amarela, do governo federal, que atende à famílias com renda mensal de R$2.500 e R$4.500 reais.

Segundo pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), os custos com materiais de construção aumentaram 25,05% em 12 meses. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), calculado pela FGV, registrou alta de 1,89% em fevereiro de 2021, a maior, observada desde junho de 2016, que era de 1,93%.Já o custo com materiais e equipamentos, em 2021, cresceu 4,38%, o que corresponde ao maior aumento registrado desde novembro de 2002, que era de 4,41%. A análise dos resultados acumulados nos últimos 12 meses, março de 2020 a fevereiro de 2021, permite verificar o forte aumento nesses materiais, o que é outro fator que vem prejudicando o andamento das obras.

De acordo com o INCC/ FGV, materiais e equipamentos, nos últimos 12 meses, encerrados em fevereiro de 2021, contabilizam alta de 25,05%, que corresponde a maior alta registrada desde julho de 2003, 25,34%. Segundo a diretora executiva do Sinduscon-RN, atualmente também existem poucos lançamentos imobiliários, por conta do Plano Diretor da capital potiguar. Uma das expectativas trazidas pela atualização dessa lei, é a valorização das áreas da cidade, a partir de mudanças nas regras para o uso do solo urbano, uma vez que irá alterar o preço dos terrenos. A valorização imobiliária está dentro do processo de discussão do Plano.

Com a revisão do Plano Diretor, os empresários e o mercado da construção civil esperam que as novas regras tragam mais confiança jurídica para o setor investir, gerando mais oportunidades de emprego e renda. Sob esse e outros aspectos trazidos à cena pela reportagem, os empresários Marcos Dantas e Lucas Tigre, Diretores do Grupo Hospedar, empresa fundada em 2014 e considerada uma das maiores empresas de
multipropriedade do estado, responsáveis por grandes lançamentos turístico-imobiliários, com hotéis e resorts no Rio Grande do Norte e em outras partes do Brasil, falam sobre a fase pela qual vivem os empresários do setor.

“Nós geramos algumas centenas de empregos diretos e indiretos em nossos negócios”. E arremata, “Setores que acreditamos, sejam os mais prejudicados pela politica de isolamento causada pelos governos estadual e municipais no nosso Estado. Em função disso, fomos obrigados a paralisar obras, suspender contratos com empresas parceiras, demitir funcionários, afastar colaboradores. Uma retração sem precedentes em nossos negócios”. “Retomamos nossas operações comerciais com força total, mas alguns setores de nossa empresa, continuam sendo impedidos de trabalhar, prejudicando diretamente os nossos clientes”. “Até quando vamos ser penalizados por trabalhar em defesa do Rio Grande do norte?” Indagam.

Só os governos estaduais e municipais do Estado podem responder.

Paello Izídio
Jornalista