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O leilão do 5G no Brasil deve resultar em investimentos de R$ 33 bilhões a 35 bilhões. O cálculo preliminar foi apresentado nesta sexta-feira (26) pelo presidente da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), Leonardo Morais, depois que o conselho do órgão aprovou o edital com as regras para o uso das faixas de frequência.
Segundo ele, os custos com contrapartida incluem:

– R$ 2,6 bilhões para conexão em estradas;

– R$ 2,5 bilhões em infraestrutura de fibra óptica backbone;

– R$ 1,5 bilhão para conexão de fibra na região Norte e

– R$ 1 bilhão para rede privada móvel.

“Estamos refinando esses dados”, afirmou ele, acrescentando ainda que os valores para atendimento de 14 mil localidades com pelo menos 600 mil habitantes ainda estão sendo calculados.

Este não é um leilão arrecadatório. Então, boa parte do valor será usada para levar internet para áreas sem conexão (como pequenas cidades e estradas) e criar uma rede privada para o Governo Federal. As operadoras candidatas ao leilão terão que investir:

– na instalação de redes 4G em todos os municípios com mais de 600 habitantes (cerca de 500)

– no roaming nacional obrigatório (clientes de uma empresa serão conectados ao sinal disponível, de qualquer operadora)

– na cobertura de 48 mil quilômetros de estradas com internet de alta velocidade (prioridade nas BRs 163, 364, 242, 135, 101 e 116)

A frequência de 3,5 GHz deve ser a mais cobiçada, pois é mais usada para o 5G no mundo e oferece conexão rápida para o consumidor final. Sabendo disso, o leilão prevê obrigações específicas para quem levar essa faixa:

– expansão de 13 mil quilômetros de cabos de fibra ótica nos leitos dos rios da região Norte (a União só tem recursos para fazer mil)

– rede privativa de comunicação 5G para a administração federal, com requisitos de segurança mais robustos e criptografia, em duas frentes: uma rede fixa de fibra ótica ligando todos os órgãos da União e uma rede móvel apenas no Distrito Federal para atividades de segurança pública, defesa, serviços de emergência e resposta a desastres

– “limpeza” da faixa de 3,5 GHz, atualmente responsável pela transmissão de TV via parabólica (quem se interessar deverá migrar estes usuários para a banda Ku, uma “avenida” superior que fica entre 10,7 GHz e 18 GHz, distribuindo kits para eles)

Um ponto de divergência entre os conselheiros foi o tal do release 16, a versão mais moderna da tecnologia 5G, proposto pelo relator Carlos Baigorri, da Anatel. Isso exige a construção de redes 5G do zero para algumas operadoras —algumas teles esperavam o release 15 para fazer uma transição mais suave.

O presidente da Anatel se opôs, mas prevaleceu o release 16. Os conselheiros entenderam que garantir a tecnologia mais atual ajuda os consumidores a entenderem as vantagens do 5G.

E a Huawei?

Por alinhamento ideológico de Jair Bolsonaro (sem partido) com o governo Donald Trump, era especulado que a infraestrutura de 5G da empresa chinesa Huawei, líder neste setor, poderia ser preterida no Brasil devido a acusações de espionagem —nunca provadas.

Com as regras do leilão desenhadas, fica claro que o governo contornou a situação. A mudança de rumo seria um efeito tanto da troca de presidência nos EUA —saiu Donald Trump, entrou Joe Biden— quanto da nova necessidade do Brasil em melhorar a diplomacia com a China para obter mais insumos para as vacinas contra a covid-19.

Será possível usar os equipamentos da estrutura já existente. Esta era uma das principais reclamações em torno da exclusão da Huawei: a infraestrutura existente no Brasil é fornecida há anos pela chinesa e uma mudança drástica traria custos extras na casa dos bilhões.

Porém, apenas quem tem capital aberto na bolsa poderá fornecer a rede privada do governo, voltada para segurança de dados e defesa nacional. Isso é algo que a Huawei não tem.

UOL com Reuters