Foto: Reprodução – 27.jul.2020 / Reuters

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, acredita que seu país não precisará mais lutar em guerras porque seu arsenal nuclear garante a segurança da nação.“Com nosso impedimento nuclear autodefensivo confiável e eficaz, não haverá mais guerra na Terra, e a segurança e o futuro do nosso país estarão garantidos para sempre”, afirmou Kim em um discurso, citado pela agência de notícias norte-coreana KCNA nesta terça-feira (28).

Falando para um grupo de veteranos em comemoração ao 67º aniversário do armistício que, em tese, encerrou a Guerra da Coreia, kim disse que as armas nucleares vão permitir que a Coreia do Norte se defenda “contra qualquer ameaça por pressão ou militar de imperialistas e forças hostis”.

Há anos, a capital Pyongyang se refere à busca por armas nucleares como puramente defensiva e com o objetivo de impedir tentativas de invasão ou mudanças no regime.

Mas alguns especialistas dizem que esses armamentos vão encorajar o país, permitindo que o regime de Kim adote políticas mais hostis e belicosas, enquanto tenta impedir adversários de responderem a agressões de nível inferior.

Independente do motivo real de a Coreia do Norte buscar armas nucleares e mísseis balísticos necessárias a elas, os comentários de Kim feitos na segunda-feira são um importante lembrete de quão difícil será obter um acordo que preveja Pyongyang abandonando um programa que vê como essencial para sua sobrevivência.

A guerra que não acabou

O discurso de Kim surge em um dos feriados mais importantes da Coreia do Norte: o aniversário da “vitória do povo da Coreia na grande Guerra de Libertação da Pátria”, como os norte-coreanos se referem à Guerra da Coreia.

A maioria dos historiadores concordam que o conflito começou quando Kim Il-sung, avô do atual líder do país, invadiu a Coreia do Sul em uma tentativa de reunificar a Península Coreana através da força.

Contudo, o Norte ensina seus cidadãos que o conflito começou quando os Estados Unidos e a Coreia do Sul marcharam para o Norte – e que Pyongyang venceu a guerra graças à liderança de Kim Il-sung.

Tecnicamente, o conflito ainda está em andamento, já que as partes envolvidas assinaram uma trégua, mas não um acordo de paz, no dia 27 de julho de 1953, que levou ao fim das hostilidades.

Nas décadas seguintes, a Coreia do Norte alertou seu povo que a ameaça de invasão ao país persiste, mesmo que a guerra tenha caído no esquecimento dos norte-americanos.

Apesar de alguns otimistas acreditarem que o encontro de Kim com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Singapura em junho de 2018 pudesse levar a um grande avanço na relação entre as duas partes, as conversas entre Washington e Pyongyang com relação à questão nuclear falharam em fazer qualquer progresso tangível.

Os norte-coreanos indicaram que estão abertos a um novo encontro entre Trump e Kim, mas as chances para isso parecem obscuras.

Kim Yo-jong, irmã de Kim Jong-un e possivelmente a segunda pessoa mais poderosa da Coreia do Norte, disse no começo deste mês que os EUA precisariam adotar uma nova estratégia de negociação se a Coreia do Norte concordasse com uma reunião futura entre os dois líderes.

Ela também afirmou que acredita que os parâmetros de negociação entre os dois países precisam mudar e focar no “afastamento da hostilidade [dos EUA]” em relação à Coreia do Norte.

A Coreia do Norte acusa há anos os EUA de empregar o que chama de “política hostil” contra o regime de Kim, destacando a aliança de Washington com a Coreia do Sul e seu comprometimento em proteger os sul-coreanos sob o “guarda-chuva nuclear” dos EUA.

“Queremos deixar claro que isso não necessariamente significa que a desnuclearização não é possível”, disse o líder norte-coreano em um um comunicado publicado pela KCNA.

“Mas o que queremos dizer é que isso não é possível agora. Lembro aos EUA que a desnuclearização da Península Coreana pode ser alcançada apenas quando houver grandes mudanças do outro lado.”

CNN Brasil