Foto: Claudio Fachel/Palácio Piratini.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador considerado a inflação oficial do país, subiu 0,61% em abril, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).Todos os grupos pesquisados tiveram alta no mês, mas o destaque vai para o setor de Saúde e cuidados pessoais, que subiu 1,49% em abril e teve impacto de 0,19 ponto percentual no índice cheio.

Com isso, o país passa a ter uma inflação acumulada de 4,18% na janela de 12 meses.

O resultado do IPCA vem na sequência de um avanço de 0,71% em março. No ano, acumula alta de 2,72%. Já em abril de 2022, o índice teve alta de 1,06%.

Em abril, o índice veio acima das expectativas de mercado. O Valor Data, do jornal “Valor Econômico”, estimava alta de 0,55% no mês passado, considerando uma mediana de 46 projeções coletadas.

Veja o resultado dos nove grupos que compõem o IPCA:

Alimentação e bebidas: 0,71%;
Habitação: 0,48%;
Artigos de residência: 0,17%;
Vestuário: 0,79%;
Transportes: 0,56%;
Saúde e cuidados pessoais: 1,49%;
Despesas pessoais: 0,18%;
Educação: 0,09%;
Comunicação: 0,08%.

Medicamentos e alimentação em alta

O principal motor da inflação em abril veio dos preços de medicamentos e produtos farmacêuticos, segundo o IBGE. Só entre esses artigos, houve alta de 3,55% constatado no índice, um impacto de 0,12 ponto percentual na inflação.

Tradicionalmente, no último dia de março, o governo federal autoriza o reajuste no setor, que impacta diretamente a inflação. Neste ano, os preços dos remédios em todo o país puderam ser reajustados em até 5,60% a partir do dia 31 de março. O limite do reajuste estabelecido pelo governo pode ser repassado pelas farmácias de uma vez ou ao longo do ano.

Além dos aumentos nas compras em farmácia, os preços nos planos de saúde também tiveram alta de 1,20%. “Houve incorporação das frações mensais dos reajustes dos planos novos e antigos para o ciclo de 2022 a 2023”, diz André Almeida, analista do IBGE.

Outro ponto de pressão na inflação de abril foi o grupo de Alimentação e bebidas, que voltou a ganhar tração e acelerar. Em março, o setor havia colhido alta de 0,05%. No fechamento de abril, subiu a 0,71%.

Segundo o IBGE, a pressão veio da alimentação no domicílio, com altas de itens básicos de alimentação. É o caso do tomate (10,64%), do leite longa vida (4,96%) e do queijo (1,97%). O grupo havia desacelerado consideravelmente em março, apresentado deflação de 0,14%. Agora, fechou com alta de 0,73%.

A alimentação fora do domicílio teve uma pequena variação, passando de uma alta de 0,60% em março para 0,66% em abril. De acordo com o IBGE, o lanche desacelerou de 1,09% para 0,93%, e a refeição saiu de 0,41% para 0,51%.

Alívio em combustíveis

Os combustíveis, “vilões” das últimas medições do IBGE, deram alguma trégua no mês de abril e registraram queda de 0,44% — em março, o instituto havia registrado alta 7,01% no mês. Desta vez, apenas o etanol teve alta (0,92%), enquanto diesel (-2,25%), gás veicular (-0,83%) e gasolina (-0,52%) caíram.

O resultado contribuiu para uma desaceleração do grupo de Transportes, que subiu 0,56% no mês. Ainda assim, o setor traz impacto relevante no IPCA de abril, com 0,12 ponto percentual no índice cheio.

Quem puxa o grupo para cima, desta vez, é o preço de passagens aéreas. Em abril, elas subiram 11,97%, após terem registrado queda de 5,32% em março. Esse foi o subitem com maior impacto na inflação geral, com 0,07 ponto percentual no total.

INPC tem alta de 0,53% em abril

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) — que é usado como referência para reajustes do salário mínimo, pois calcula a inflação para famílias com renda mais baixa — teve alta de 0,53% em abril. Em março, a alta foi de 0,64%.

Assim, o INPC acumula alta de 2,42% no ano e de 3,83% nos últimos 12 meses. Em abril de 2022, a taxa foi de 1,04%.

Por G1.