Foto: Sergio Lima/Poder 360

O presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, disse que a inflação prejudica os mais pobres e que não é possível reduzir a taxa básica, a Selic, na canetada.Ele participou de audiência pública na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) no Senado. A comissão é presidida pelo senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO).

Campos Neto voltou a argumentar que o custo social de não combater a inflação é muito superior ao do impacto no curto prazo dos juros altos. Defendeu que não é possível reduzir a Selic na “canetada”.

“Se fosse fácil resolver o problema com canetada já tinha feito. Obviamente, que se a gente fizer uma canetada, ou seja, uma queda de juros artificial, o que vai acontecer é que você vai estar passando uma mensagem que a remuneração [dos ativos] não está apropriada para o seu risco”, declarou.

Nesse cenário, Campos Neto disse que o real desvalorizaria, os investidores retirariam o dinheiro do país e haveria um processo de expectativa de inflação crescente.

“No final das contas, você ia terminar com uma moeda mais desvalorizada com uma inflação maior”, declarou Campos Neto. Ele disse que a inflação pune muito os mais pobres, e essas pessoas seriam prejudicadas.

“Obviamente, não tem nenhuma mágica, nenhuma bala de prata. O que a gente precisa é ganhar credibilidade”, argumentou.

REFORMA PROPOSTAS

O presidente do BC defendeu 3 pautas prioritárias para o país em conversa com senadores:

  • um novo marco fiscal;
  • uma reforma tributária;
  • e uma reforma administrativa.

Sobre a reforma administrativa, ele disse que é importante o país mostrar “alguma coisa que a gente consiga mostrar que tem capacidade de cortar gastos de uma forma mais estrutural”.

Também recomendou que haja digitalização dos serviços públicos. Disse que conversou com autoridades indianas que disseram ter economizado com o aumento da tecnologia. “A tecnologia e digitalização de serviços públicos é capaz de gerar uma grande economia para o governo”, disse.

DIRETORES DO BC

Campos Neto afirmou que 2 dos 7 diretores do Banco Central são do mercado financeiro. “Nós temos 1 que é acadêmico e 4 que são funcionários da casa”, declarou. Segundo ele, há um equilíbrio, mas que poderia ter mais acadêmico ou mais funcionários do BC. “Não tem nenhuma obrigatoriedade”, disse.

AUDIÊNCIA PÚBLICA

Campos Neto tem sido alvo de críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do governo em relação ao nível considerado baixo da meta de inflação, a alta taxa básica, a Selic, e a autonomia da autoridade monetária.

O juro base está em 13,75% ao ano. Não houve alteração em 2023 e o Banco Central sinaliza que a taxa deverá ficar nesse patamar por tempo prolongado para controlar a inflação, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

A inflação do país foi de 4,65% no acumulado de 12 meses até março. Voltou a ficar abaixo de 5% depois de 2 anos. A taxa anual está em queda há 9 meses.

Poder 360