11/03/2023 11h53
Foto: iStock/Getty Images

Dois biomas brasileiros tiveram desmatamento recorde em fevereiro de 2023, a Amazônia e o Cerrado.A Amazônia nunca tinha sofrido tanto com a ação do homem em um mês de fevereiro. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais mostram que, no mês passado, os alertas de desmatamento atingiram 322 quilômetros quadrados de floresta, uma área do tamanho da cidade de Belo Horizonte. Um crescimento de 62% em relação ao ano passado, que até então era o mais alto da série histórica iniciada em 2016.


Só o estado de Mato Grosso foi responsável por metade de toda mata derrubada. Mas, no acumulado do ano, o desmatamento na Amazônia ainda está em queda: redução de 22% em relação aos dois primeiros meses do ano passado.

Em janeiro deste ano, o Inpe registrou queda no desmatamento, mas esse mês específico costuma ser difícil para o trabalho de monitoramento dos pesquisadores. É que o início do ano é um período chuvoso na Amazônia e a cobertura de nuvens atrapalha as imagens feitas pelos satélites.


“Parte do que eu estou vendo agora em fevereiro pode ter ocorrido em janeiro, e por uma questão de nuvem, eu não consegui enxergar em janeiro. Então eu só consegui enxergar agora, em fevereiro. Não significa que 100% é assim, que o desmatamento só aumentou por causa da nuvem, não. Uma parcela disso pode estar ligada à presença de nuvens em janeiro”, explica o pesquisador do Inpe Cláudio Almeida.


O Inpe apontou que o Cerrado também registrou o pior fevereiro da série histórica: foram perdidos 558 quilômetros quadrados de mata, quase o dobro do registrado no mesmo mês do ano passado.


“Precisa combater, precisa das forças de segurança, força de proteção ambiental lá na ponta, lá no campo fazendo o seu papel, o papel de repressão ao crime. Agora, o Ibama, por exemplo, precisa de mais agentes, com o que ele tem hoje não consegue fazer esse combate”, diz Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.
g1