O Ex-Deputado federal Henrique Eduardo Alves passou 328 noites na prisão. Henrique Eduardo Alves, que foi deputado federal por 11 mandatos consecutivos e presidente da Câmara entre 2013 e 2015, quer voltar após um hiato de oito anos fora do Congresso Nacional.

O retorno à política acontece cinco anos depois de ter sido preso preventivamente âmbito das Operações Sépsis e Manus, que investigaram supostos desvios de recursos da Caixa Econômica Federal (CEF) e da construção da Arena das Dunas, em Natal (RN).

Alves, 73, enfrentou 11 meses de prisão preventiva, entre junho de 2017 e maio de 2018, em decorrência de investigações derivadas do caso iniciado no Paraná PR). Seu principal processo teve sentença anulada pela Justiça Federal do DF em dezembro, e o ex-deputado ainda enfrenta três ações na Justiça Eleitoral no RN.

“Me dói muito falar da prisão. Enfrentei uma das prisões preventivas mais longas do país, foram 328 dias sem ter uma condenação. Mas tudo o que eu vivi foi um aprendizado, me deu humildade e uma imensa capacidade de perdoar”, afirma.

A retomada, contudo, não promete ser fácil. O seu primeiro obstáculo foi o próprio MDB, sigla liderada localmente por seu primo, o Ex-Senador Garibaldi Alves, também Pré-Candidato a Deputado Federal.

Sem espaço para as duas candidaturas, Henrique Eduardo Alves decidiu deixar o MDB após 52 anos e criticou os antigos aliados por não reconhecerem os seus “longos anos de militância no partido”. Em março, assinou a ficha de filiação ao PSB.

Alves diz que não guarda mágoas de carrascos, incluindo o então procurador-geral Rodrigo Janot, que pediu a sua prisão. E afirma que não terá problema em ser colega de Moro e Deltan no Congresso, caso os três sejam eleitos.

“Quero virar essa página. Quem for merecedor, que se eleja e no Parlamento tenha capacidade de dialogar, de convencer e ser convencido”, disse à Folha de São Paulo (SP).