Foto: Reprodução/Adrienne Surprenant/Oxfam

Superando a atual taxa de mortalidade pela covid-19, cerca de 11 pessoas poderão morrer de fome no mundo até o final de 2021. A falta de alimentação mínima é agravada por cenários de conflitos armados, pelos efeitos da crise climática e pela própria pandemia. A conclusão é de relatório da ONG (organização não governamental) Oxfam divulgado nesta 6ª feira (9.jul.2021).O documento, intitulado “O Vírus da Fome se Multiplica”, traz um panorama da desigualdade social no planeta e as condições do acesso à nutrição. Leia a íntegra do relatório (521 KB).

Segundo o estudo, em 2021 mais de 20 milhões de pessoas foram levadas a níveis extremos de insegurança alimentar. Em todo o mundo, são 155 milhões nessa situação, em 55 países. A condição de fome estrutural chega a mais de 520.000 pessoas, um aumento de 5 vezes desde o começo da pandemia.

“O que nós considerávamos uma crise de saúde global se transformou rapidamente em uma crise de fome intensa, que expôs a grande desigualdade que existe no nosso mundo”, diz um trecho do relatório. Os pesquisadores apontam que o pior ainda está por vir, a menos que os governos enfrentem “com urgência” a causas do problema.

A pesquisa levantou os principais focos da fome no mundo: Afeganistão, Iêmen, Sahel, Sudão do Sul e Venezuela. “A fome também se intensificou em focos emergentes, como Brasil, Índia e África do Sul, que, paralelamente, tiveram alguns dos aumentos mais acentuados nos casos de covid-19”.

No Brasil, 19,1 milhões de pessoas passam fome, segundo Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, desenvolvido pela PENSSAN (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar). Cerca de 116,8 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar. Negros, mulheres, pessoas que vivem em áreas rurais e indígenas foram os mais atingidos pela fome em 2020.

“A pandemia de covid-19 escancarou as desigualdades brasileiras e trouxe essa emergência da fome a milhões de pessoas no país”, afirma Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil, em comunicado no site da ONG. “Vivemos uma situação catastrófica porque há uma negligência sem tamanho com a vida das brasileiras e brasileiros, que estão sem vacinas, sem ter o que comer, sem emprego e sem renda.”

Poder360