A situação dos terceirizados e terceirizadas da UERN ganhou mais um triste capítulo durante a pandemia de Coronavírus. Há três meses sem receber salários, os trabalhadores e trabalhadoras da limpeza e capinagem da universidade enfrentam o isolamento social com fome, contas a pagar e muita indignação.De acordo com Aldeiza de Souza, delegada sindical do SINDILIMP, que representa os terceirizados da UERN, além dos salários atrasados ainda não foram pagos quatro meses de vale-transporte e de vale-alimentação. Para sindicalista a situação é uma afronta aos direitos humanos e só demonstra o total descaso dos empresários, da gestão universitária e do Governo com estes servidores. Ela dispara:

“Eu não entendo o porquê de tanto sofrimento, tanta humilhação, para que a UERN, as empresas terceirizadas e o Governo paguem estes trabalhadores. São 59 colaboradores, pais e mães de família, vivendo em uma situação gritante, uma lástima! Tem casais que ambos trabalham na UERN, agora me diga como estas pessoas vão conseguir pagar suas contas se sua renda mensal toda deveria vir da universidade e nunca é paga?”

Aldeiza também comenta que independente da empresa contratada pela UERN, os atrasos são sempre recorrentes ( veja mais sobre isso AQUI E AQUI) e questiona a responsabilidade da gestão universitária com os terceirizados: “Por que entra empresa e sai empresa e os terceirizados da UERN nunca conseguem receber seus salários e direitos em dia?”

A dirigente sindical crítica o modelo de contrato firmado entre a universidade e as empresas terceirizadas. “Sempre é firmado um contrato em que a universidade pode passar até três meses sem pagar a empresa. Agora me diga, que empresa, ainda mais neste período de pandemia, consegue se manter sem receber três meses de repasse? No fim quem paga esta conta são sempre os trabalhadores. Todo mundo está vendo esta situação há muito tempo e ninguém tem feito nada. Em pleno século XXI é inacreditável que alguém trabalhe três meses e não receba salário”. Destaca.

Procurada pela Diretoria da ADUERN a fim de se manifestar sobre os atrasos salariais, a gestão da UERN, através do Diretor de Administração e Serviços, Pedro Rebouças de Oliveira Neto, através do Ofício nº 3/2020/UERN, afirmou:

“Estamos cientes da situação ora relatada, que a empresa CONSERVE (responsável pelo serviço terceirizado de limpeza e copeiragem em Mossoró) já foi devidamente notificada pelos descumprimentos e está respondendo a quatro processos de aplicação de penalidade, os quais estão sob os números 267/2020, 557/2020, 951/2020 e 1310/2020. Caso o salário de abril, a vencer no quinto dia útil de maio, também não seja pago, será feita outra notificação em razão do novo descumprimento.

Além disso, estamos mantendo contato frequente com o fornecedor, cobrando a solução para tal problema. O fornecedor, por sua vez, alega que para quitar pelo menos dois meses de salários, necessita receber fatura referente ao mês de janeiro/2020, única que se encontra apta ao pagamento. A citada fatura somente foi finalizada pelo fornecedor e atestada pela gestão do contrato em 26/03/20, desse modo não há que se falar, legalmente, em atraso que justifique descumprimento de suas obrigações (…)

O documento apresentado pela Reitoria também afirma que diante dos atrasos, ficou decidido “abrir processo administrativo, sob o nº 1327/2020, que poderá culminar com rescisão contratual e, por conseguinte, contratação de nova empresa para assumir o serviço”.

Fonte: Portal do Oeste